Resenhas de Janeiro

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É com muita alegria que trago hoje, no último dia do mês, as primeiras resenhas do Projeto 12 Livros em 12 Meses.
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A Ciranda das Mulheres Sábias (Clarissa Pinkola Estés), por Sonia
A Garota Americana (Meg Cabot), por Ana Elisa
A Lição Final (Randy Pausch), por Nay
Amor por Encomenda (Mary Taylor Burton), por Nade
Degredado em Santa Cruz (Sonia Sant'Anna), por Georgia
Dom Casmurro (Machado de Assis), por Thaysa
Gomorra (Saviano), por Elaine
Harry Potter e as Relíquias da Morte (J. K. Rowling), por Sarah
Mentes Perigosas: O Psicopata Mora ao Lado (Ana Beatriz B. Silva), por Ju
Minha Fama de Mau (Erasmo Carlos), por Renata
Mistério Sob as Águas (James W. Hall), por Bebel
Nice Girls Don’t Get Rich (Lois P. Frankel), por Angie
Nosso Último Verão (Ann Brashares), por Paulinha
Noturno (Guillermo del Toro e Chuck Hogan), por Babi
O Castelo de Vidro (Jeammette Walls), por Sarah
O Menino do Pijama Listrado (John Boyne), por Daniel
Para Sempre Alice (Lisa Genova), por Marta
Pollyanna (Eleanor H. Porter), por Raquel
Sua Resposta Vale um Bilhão (Vikas Swarup), por Bárbara
The Time Traveler's Wife (Audrey Niffenegger), por Bia
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Infelizmente nem todos (lista completa de participantes aqui) conseguiram concluir suas leituras desse mês, mas em compensação tive outras gratas surpresas, como por exemplo a participação de um jovem leitor de 10 anos de idade, o Daniel.
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Esteja você participando ou não da nossa aventura literária, dê uma olhada nas resenhas listadas acima, você encontrará ótimas dicas de leitura, em diferentes idiomas. Se possível, divulgue essa lista!
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Vamos agora às nossas leituras de fevereiro, no mesmo esquema.
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Ah, semana que vem, além de uma nova resenha, teremos a primeira promoção do Diário de Leituras, fique de olho!
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Enquanto houver luz

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Livro: Enquanto Houver Luz (While the Light Lasts and Other Stories)



Autor: Agatha Christie


Editora: Record




Minha terceira experiência com livros de contos da Agatha (as outras foram com “Os treze enigmas” e “A mina de ouro”), essa coletânea reúne nove contos bem diferentes uns dos outros.


O primeiro, “Casa dos sonhos”, é um tanto sombrio e trágico. Em “A atriz” a personagem-título prepara uma armadilha para manter afastado dela um chantagista. Um conto curto e bem objetivo. O próximo, “Tensão e morte”, um pouco mais longo, trata de traição e mais uma vez chantagem, com um final infeliz. Em seguir vem “Aventura natalina”, em que um crime acontece e é investigado pelo detetive belga Hercule Poirot. Em “O deus solitário”, um rapaz e uma moça completamente sozinhos no mundo desenvolvem um relacionamento após se conhecerem no Museu Britânico. A seguir, “O ouro de Man”, que entre todas as histórias citadas aqui é a que mais prende a atenção do leitor, mas sem grandes surpresas no seu desfecho. Em “Paredes que atormentam”, mais um triângulo amoroso com final triste. O oitavo conto, “O mistério do baú de Bagdá”, é uma típica história de Agatha. O último, que empresta o título ao livro, “Enquanto houver luz”, mistura o real e o imaginário. Cada conto é seguido pelo seu posfácio, com informações sobre a época e o contexto em que foi escrito.

Não há dúvida de que Agatha é muito habilidosa com as palavras, seja nos contos mais dramáticos e românticos ou nos policiais. Eu, porém, prefiro os romances de investigação e suspense – de preferência com Sir Poirot ou com a simpática Miss Marple – que a colocaram entre meus escritores preferidos.

Duas das citações que mais gostei:

“O orgulho está sempre disponível para mascarar nossos sentimentos... porém, não nos impede de senti-los.”

“...mas eu realmente acredito, mesmo assim, que significo algo de real para você. Ninguém fica zangado com as pessoas que nada significam.”



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Todas as estrelas do céu

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Esse post é super especial, pois além de trazer a resenha de um livro lindo, temos ainda uma super entrevista concedida gentilmente pelo seu autor para o Diário de Leituras.


Livro: Todas as Estrelas do Céu

Autor
: Enderson Rafael



Esta é uma doce história de amor temperada com doses de polêmica. Devo enfatizar que o autor foi corajoso ao abordar certos temas, mas ele contou com o apoio da sua própria experiência pessoal em alguns aspectos, como pode ser conferido na entrevista que acompanha a presente resenha.


Caroline e Leandro são irmãos. Ela é filha biológica de um simpático casal, e ele, adotado pelo mesmo. No início do livro, Carol rompe com o namorado e é consolada por Lê. Pela primeira vez, surge uma faísca diferente entre os dois, um carinho que transcende o fraternal.

A partir desse momento, nasce um grande amor entre eles. A princípio decidem se entregar ao relacionamento, mas logo começam a surgir os obstáculos, como a desaprovação de seus pais, que não aceitam a idéia de ver seus dois filhos como namorados e tentam a todo custo afastá-los.

A história se desenvolve de forma que é impossível parar de ler, pois a vontade de saber o que vai acontecer com Lê e Carol é grande.

Em determinada parte do livro, Caroline (que apesar da pouca idade é corajosa, tem iniciativa e personalidade!) escreve uma poesia inspirada em Leandro, em uma tentativa de se declarar a ele e talvez “organizar” seus sentimentos (se é que isso é possível). O tal poema, intitulado “Todas as estrelas do céu”, me lembrou outro, que adoro: “Via Láctea”, de Olavo Bilac.

Uma história que tem como base o romantismo e vale muito a pena ser lida. Diferente de todos os livros que já li, este ainda não foi publicado.

 


Entrevistando o Autor





Diário de Leituras: De onde você é e qual a sua formação?
Enderson Rafael: Nasci em Florianópolis, SC, em 1980, mas morei em Teresópolis, Região Serrana Fluminense, no Rio de Janeiro, e atualmente em São Paulo. Eu me graduei em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela ESPM-Rio e trabalhei como redator publicitário por alguns anos, antes de me tornar comissário de voo, profissão que tenho hoje, e que de certa forma permitiu que eu voltasse a escrever.
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DL: Desde quando você escreve?
ER: Em 1998, escrevi minha primeira redação de ficção, pro colégio mesmo, e gostei do resultado. Naquele ano tentei escrever meu primeiro romance, (à mão!) mas acabou sendo só um protótipo, algo que me ensinou como domar um texto não com 20 linhas, mas com 20 mil palavras. Em 1999 escrevi o "Todas as estrelas do céu", minha primeira de seis obras, para a qual estou procurando uma editora desde então. Neste meio tempo, além de dois roteiros de longa-metragem, um ensaio e mais um romance, foi publicado "Propaganda e Marketing para vestibulandos, calouros, curiosos e simpatizantes", da Ed. Novas Idéias, atual 2AB, em 2007, e diversos artigos em jornais e sites especializados de Propaganda. Eu perco o fio da meada falando, por isso a escrita me cai bem, me dá tempo de organizar as ideias quando quero expressar algo.
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DL: Como surgiu a idéia para o livro "Todas as estrelas do céu"?
ER: Bom, eu queria muito escrever um livro fazia tempo, e tinha que ser uma história de amor romântico, bem como eu sempre fui. Então, um belo dia, pouco antes de eu fazer 19 anos, me passou pela cabeça o seguinte pensamento. "Se eu tivesse uma irmã adotiva com tudo de físico e psicológico capaz de me atrair em uma guria, por que eu não poderia me apaixonar?" Como sou adotado, me senti preparado para escrever sobre Leandro e Carol sem medo de errar. Acho até que minha escrita melhorou muitíssimo depois disso, e hoje meu estilo é muito melhor que naquela época, mas se meu último romance - ainda inédito - é maravilhoso na forma, "Todas as estrelas do céu" é impecável no conteúdo. Dificilmente voltarei a achar um assunto tão incrível. Mas essa é minha opinião, claro, e eles, os livros, são "meus filhos", né, tem que dar um desconto hahahaha
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DL: Você se identifica com algum dos seus personagens? Eles são inspirados em alguém ou são totalmente inventados?
ER: Muita gente acha, no "Todas as estrelas do céu", que sou o Leandro. Fisicamente sim, concordo, embora ele seja provavelmente mais bonito que eu! hahaha. Mas a Carol, sem dúvida, é meu equivalente nesse romance em especial. Muitos personagens são inspirados fisicamente em gente que existe, outros são uma invenção vaga, outros são homenagens descaradas a pessoas que eu gosto ou admiro. Psiquê, físico e mesmo nomes muito comunmente encontram paralelo na vida real, ainda que nem sempre. No "Todas as estrelas do céu", especificamente, dos meus pais, os pais de Lê e Carol só roubaram a casa e a profissão, mais nada! Eu tive os melhores pais do mundo, fui realmente sortudo, e não imagino como eles reagiriam numa situação como a do livro. Talvez pensassem parecido, mas é certo que agiriam de maneira completamente diferente. Não sei, nunca perguntei a eles, embora tenham lido o livro. Você me deu uma boa ideia! hahaha
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DL: Como é o seu processo de escrever? Tem um horário ou local certo para isso?
ER: Pelo menos por enquanto, e por um bom tempo ainda, creio eu, minha profissão "oficial" me toma muito tempo. Dedico 22 dias por mês a ela, e com isso, mais família, namorada, amigos, sobra pouco tempo para escrever.

Curiosamente, no entanto, o lugar onde mais gosto de escrever é no meu ambiente de trabalho, mas só posso fazê-lo quando não estou trabalhando. É bem comum eu escrever nos hotéis - onde passo mais da metade das noites do mês, América do Sul afora, mas já escrevi no ônibus indo pra Teresópolis, e muito mais ainda na ponte aérea, entre Rio e São Paulo. Adoro escrever quando estou voando de passageiro, a mesinha aberta com o notebook em cima, a janelinha entreaberta, as nuvens lá embaixo, amo!

Bom, mas não vivo disso - ainda que o "Propaganda e Marketing para vestibulandos, calouros, curiosos e simpatizantes" esteja perto do final da primeira edição, para se viver de escrever livros no Brasil é preciso vender dezenas, centenas de milhares de exemplares, e essa cifra é muito difícil de atingir num país que lê pouco como o nosso, ainda que não seja impossível. Dei sorte de nascer sabendo escrever para agradar os outros, então meus livros são sempre bem comerciais, e tenho grande confiança que com uma boa divulgação e uma editora bem estruturada por trás, eu possa um dia viver disso sim e poder desenvolver meu cantinho e meu horário para escrever, num lugar bem sossegado, longe da cidade grande. E aumentar minha produtividade, claro.
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DL: Quais você acredita serem seus pontos fortes e pontos fracos em relação à escrita?
ER: Os fortes são provavelmente a sensibilidade, o amor por línguas, em especial a Portuguesa, o perfeccionismo e minha predileção por dar destaque aos cenários, algo que, penso, torna a leitura mais agradável e rica, pois as pessoas lêem e se identificam com aquele lugar, quando passam por lá ou vêem na televisão, algo assim. Pontos fracos são difíceis de dizer, pois na medida que os identifico, tento miná-los. Mas é claro que minha juventude joga contra, pois sou muito imaturo ainda e tenho muito que aprender da vida. Sem dúvida serei muito melhor autor aos 60, 70 anos, do que sou hoje. E tenho um grande desafio pela frente - que de certa forma é enfrentar o que considero um ponto fraco meu: escrever sobre realidades diferentes da minha. No meu último romance, me aventurei um pouquinho aí, e acho que deu certo. No próximo, serei mais corajoso.
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DL: O que você está lendo no momento?
ER: Estou lendo apaixonadamente as últimas páginas de "Contato", o único romance de Carl Sagan do qual tenho notícia - e que virou filme com a Jodie Foster em 1997. É um romance, ficção-científica. Mas não daquelas improváveis, mas bem pé no chão e verossímil - outra coisa que considero ponto forte na minha escrita, a verossimilhança, a capacidade de parecer verdade mesmo quando não é, de ser plausível. Aliás, de Carl Sagan, recomendo muitíssimo todos os outros livros que já li. Ele foi um dos maiores divulgadores da Ciência de todos os tempos, e um grande astrônomo. "Pálido Ponto Azul" e "Bilhões e Bilhões", ambos publicados no Brasil pela Cia das Letras, destacam-se entre suas muitas obras.
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DL: Qual é seu autor e livro favoritos?
ER: A lista tinha tudo para ser gigante, se fosse justa. Mas para ser sucinto sem errar: na ficção eu fico com Chico Buarque (Budapeste) e José Saramago (As Intermitências da Morte). O Chico é um príncipe da prosa, domina a forma como tudo. Saramago é o rei, extrapola contos e ideias malucas com uma língua afiada, num português luso irresistível e nos delicia com uma história verdadeiramente surpreendente. Em não ficção, os mestres são muitos, Amyr Klink e Dawkins entre eles, mas fico com o professor Carl Sagan. Sua serenidade infinita apoiada em seu conhecimento extraordinário me arrancaram várias lágrimas já.
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DL: O que gosta de fazer nas horas de lazer?
ER: Ah, que vergonha... Jogar Flight Simulator! Pronto, falei! hahahaha Eu toco piano também, adoro, e um bom vinho com os amigos, a amada e a família são o melhor das horas de lazer. Viajar também, gosto muito. Mas quem faz os lugares são as pessoas, então...
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DL: Que conselhos você daria para quem quer escrever um livro?
ER: Comece. A vida é efêmera e não conhece os nossos planos. Já ganhar dinheiro com isso, vai do tipo de coisa que você escreve. Você tem que saber reconhecer se escreveu para você, para o seu TCC, para sua musa, ou para todo mundo. São casos distintos. mas quanto à efemeridade da vida, eu falei bem sério.


Enderson, muito obrigada pela entrevista e pelo livro!


Prestigie os escritores nacionais. Se você quer patrocinar a publicação deste livro, entre em contato com seu autor:

E-mail: livrotodasasestrelas@gmail.com
Twitter do Enderson: @endersonrafael
Twitter do livro: @todasasestrelas

* Essa seria minha leitura de fevereiro para o Projeto 12 Livros em 12 Meses, acabei lendo antes do previsto.
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Nosso último verão

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Livro: Nosso Último Verão


Autor: Ann Brashares

Editora: Objetiva

Ano: 2008
 
 
 
 
Ann Brashares é uma escritora estadunidense, casada e mãe de três filhos. Por enquanto, escreveu seis livros, sendo quatro deles componentes da série Irmandade das Calças Viajantes, que deu origem ao filme Quatro Amigas e um Jeans Viajante, e tornou a autora conhecida. Já deu pra perceber que adoro seus livros?


A presente resenha trata de mais uma obra-prima de Ann, seu primeiro livro [definitivamente] adulto. “Nosso último verão” conta a história de duas irmãs, que moram na agitada Manhattan, mas cresceram passando todos os seus verões na litorânea Fire Island, junto ao seu amigo Paul.

A forte e destemida Riley é salva-vidas e a melhor amiga de Paul. Alice, de vinte e um anos, sua irmã mais nova, quer estudar Direito e tem uma grande admiração pela mais velha.

Desde o começo fica bem claro que Alice ama Paul, mas apesar de também ter sentimentos por ela, ele não admite, muitas vezes nem para si mesmo, camuflando seu amor, tentando escondê-lo ao tratá-la mal.

O trio de protagonistas precisa amadurecer e encarar certos medos quando a relação profunda que os une é abalada por uma tragédia. Como lidar com isso? Como superar? Seria possível seguir em frente? Seria possível perdoar uns aos outros e a si mesmos?

O livro foca na amizade inabalável entre Riley e Paul, no conturbado relacionamento deste com Alice, na união incondicional das duas irmãs e na dinâmica dos três quando estão juntos. Os personagens são muito bem construídos, e apesar de me identificar mais com Alice, é impossível não se encantar pela “pequena grande mulher” Riley.

Esta é uma história sobre amizade, amor e superação. Foi o responsável por me arrancar algumas lágrimas em determinados momentos. Uma ótima forma de começar a lista de leituras desse ano. Recomendadíssimo!



* Meus sinceros agradecimentos à Mariana, da Ed. Objetiva, minha primeira parceira.

* Essa foi a minha leitura desse mês para o Projeto 12 Livros em 12 Meses. E aguarde, no finalzinho de janeiro farei um post com todas as resenhas do primeiro mês do ano dos participantes do Projeto. Será um post recheado com ótimas dicas de livros!

* Visite também o Canetas Coloridas e o The One With The Quotes.
 

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